“Igreja Católica Pós-COP 30” reúne lideranças para refletir sobre continuidade da articulação por justiça climática

Entre os dias 13 e 15 de março de 2026, foi realizado, na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF), o encontro “Igreja Católica Pós-COP 30: Articulação por Ecologia Integral e Justiça Climática”. A iniciativa reuniu representantes dos regionais da Igreja no Brasil, organizações e redes eclesiais, com o objetivo de consolidar os encaminhamentos do processo rumo à COP 30 e fortalecer sua continuidade nos territórios.

A CNBB Nordeste 2 foi representada por Vivian Santana, articuladora da Comissão Regional para a Ação Sociotransformadora.

A programação foi construída de forma a articular espiritualidade, memória, análise crítica e construção coletiva. O encontro teve início com uma celebração conduzida pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), evocando o cuidado com a criação, o pedido de perdão pelos danos à Casa Comum e o compromisso com a esperança.

No sábado, 14, eixo central do encontro, destacou-se a memória do caminho da Articulação Igreja Rumo à COP 30, evidenciando um processo que conectou diferentes redes e mobilizou territórios em todo o país e processos de incidência que conduziram à Mensagem das Conferências e Conselhos Episcopais Católicos da África, América Latina e Caribe e Ásia por ocasião da COP 30. 

Na sequência, o Painel 1 – “Do evento à ação: caminhos do pós-COP 30 a partir de Belém”, mediado pelo padre Tiago Ávila Camargo, subsecretário adjunto de pastoral da CNBB, contou com a participação de dom Jaime Spengler (CNBB/CELAM), André Corrêa do Lago (presidente da COP30), Stela Herschmann (Observatório do Clima) e César Piscoya (CELAM). As reflexões destacaram que a COP 30 deve ser compreendida como um processo contínuo, apontando avanços, limites e a necessidade de fortalecer compromissos políticos, éticos e sociais no enfrentamento da crise climática.

No período da tarde, o Painel 2 – “A presença sinodal da Igreja no caminho da COP 30” reuniu Valquíria Lima (Cáritas Brasileira), Leon Souza (Casa Galileia), Isabel Pereira (ISER), dom Vicente de Paula Ferreira (CEEM/CNBB), irmã Maria Irene Lopes dos Santos e Joana Menezes (REPAM-Brasil). O painel apresentou uma leitura avaliativa do processo vivido pela Igreja, destacando avanços na mobilização, formação, incidência política e diálogo inter-religioso, além dos desafios relacionados à comunicação, ao engajamento das bases e à continuidade das ações.

O encontro também contou com a presença de Martina Giacomel, oficial do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, que acompanhou as atividades com o objetivo de escutar lideranças e compreender como o processo de articulação da Igreja rumo à COP 30 foi desenvolvido nos territórios, contribuindo para o diálogo a partir da experiência da Santa Sé nas Conferências do Clima e reforçando a importância da presença da Igreja nos espaços internacionais de incidência socioambiental.

Entre os dados apresentados, destacaram-se a ampla mobilização social no processo rumo à COP, incluindo iniciativas como a Cúpula dos Povos, o Tapiri Inter Religioso e Ecumênico a Marcha pelo Clima e a participação de diferentes redes, organizações e territórios. 

No domingo (15), o Painel 3 – “Horizontes da atuação da Igreja Católica no pós-COP30” contou com a contribuição do Cardeal Leonardo Steiner, que provocou os participantes a refletirem sobre a necessidade de uma mudança de paradigma na relação com a natureza, superando modelos de desenvolvimento baseados na exploração e fortalecendo uma ecologia integral.

Ao longo do encontro, os participantes também se organizaram em grupos por macrorregião, identificando avanços, desafios e prioridades para a continuidade da atuação nos territórios. Entre os principais encaminhamentos, destacam-se o fortalecimento das comissões de ecologia integral, o investimento em formação e letramento climático, a ampliação da incidência política e o fortalecimento das redes e da comunicação.

Marcado pelas dimensões espiritual, simbólica e sinodal, o encontro reafirmou que a COP 30 não se encerra em si mesma, mas exige continuidade. Ao final, os participantes foram enviados por dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB, com o compromisso de fortalecer processos que integrem fé, justiça climática e cuidado com a Casa Comum.

Fonte: CNBB - Rocheli Koralewski | Fotos: Ricieri Benedetti

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