Impulsionada pelo tema “Discernir, cuidar e transformar: as novas diretrizes para a Ação Evangelizadora”, a Comissão Regional para a Ação Sociotransformadora da CNBB Nordeste 2 realizou a sua 33ª Assembleia. O evento congregou cerca de 40 representantes das pastorais sociais dos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, entre os dias 16 e 18, em Caicó (RN).
Durante os três dias de encontro, os agentes pastorais viveram momentos de oração, partilha e reflexão a partir do lema “Entre o clamor da terra e o clamor do pobre: novos caminhos para ação sociotransformadora”. Toda programação foi acompanhada pelo bispo da Diocese de Cajazeiras (PB) e referencial para a Comissão Regional para a Ação Sociotransformadora, dom Francisco de Assis Gabriel.
O segundo dia da assembleia foi marcado pelo forte caráter profético e de imersão na realidade regional, combinando visita de campo e análises de conjuntura com estudos pastorais. Os participantes foram à comunidade do Maxixe, no município de Currais Novos (RN), território duramente afetado pelos impactos socioambientais da mineração e de empreendimentos de energia renovável.
No local, constatou-se de perto os danos gerados pelas explosões de minas nas residências, o aumento de problemas respiratórios e o sofrimento psicológico das famílias. Relatos dos moradores evidenciaram o clima de medo e o silêncio imposto pela dependência econômica dos empregos gerados na região, além da urgência de incidência dos órgãos de proteção de direitos.
A partir dessa experiência e da reflexão tendo como base o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, os participantes da assembleia elaboraram propostas concretas de ação pastoral, como a articulação permanente com órgãos do sistema de justiça, a exemplo do Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU). As iniciativas propostas também contemplam a divulgação de documentos públicos de denúncia e apoio às vítimas de violação de direitos.


Conjuntura, política e as novas diretrizes (2026-2032)
A análise da conjuntura política e eclesial, foi conduzida pelo assessor político da CNBB Carlos Daniel Seidel, e convidou a assembleia a olhar a realidade a partir da vida concreta dos mais vulneráveis. Inspirado na perspectiva do Encantar a Política, o debate destacou que a atividade política deve ser um instrumento de construção do bem comum, exigindo formação cidadã e combate à desinformação.
No âmbito eclesial, a formação foi assessorada pelo presidente da Comissão Arquidiocesana de Pastoral para a Ação Sociotransformadora da Arquidiocese de Olinda e Recife (PE), padre Edson André. O sacerdote aprofundou as Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032). O documento orienta uma Igreja sinodal, com as “tendas abertas”, enraizada nas dores e esperanças do povo, priorizando os pobres, combatendo o racismo, a homotransfobia e a violência contra a mulher, e promovendo uma ecologia integral.
Caminhos para o Regional Nordeste 2
Após trabalhos em grupos focados em migração, pobreza, mudanças climáticas, povos tradicionais e juventude tendo como iluminação a Palavra de Deus, a assembleia sintetizou um conjunto de encaminhamentos práticos para fortalecer a atuação em rede no Regional Nordeste 2.
As diretrizes apontam para a elaboração de documentos de denúncia sobre as violações socioambientais mapeadas nos territórios; carta pública em apoio ao bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira (PE), dom Limacêdo Antônio da Silva, e de repúdio às pressões sofridas pelas comunidades; e maior articulação eclesial e institucional, promovendo visitas à Diocese de Caicó e diálogo com o MPF e a DPU.
A Comissão Regional para a Ação Sociotransformadora anunciou também como encaminhamento da assembleia a retomada dos círculos bíblicos, formação continuada na Doutrina Social da Igreja e ampliação da presença missionária nas periferias e comunidades mais vulneráveis.

