Intenção de oração do Papa indica proposta central no texto das Diretrizes da Ação Evangelizadora

Neste mês de agosto, o Papa Leão XIV coloca como intenção de oração a evangelização na cidade, convidando os fiéis a rezarem para que sejam encontradas novas formas de anunciar o Evangelho. Essa intenção propõe ao Apostolado da Oração e a todos os fiéis rezar por um tema que está no centro dos caminhos da missão apresentados nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032): a formação e o fortalecimento das comunidades de discípulos missionários na realidade urbano.

Desafios da cidade

O pontífice recorda, em sua intenção, que as grandes cidades são muitas vezes “marcadas pelo anonimato e pela solidão”. No texto das Diretrizes, os bispos também reconhecem que neste ambiente se manifestam os desafios e contradições para o anúncio do Evangelho. São elencados nas DGAE: a pobreza, o desemprego, as condições precárias de trabalho e habitação, a devastação ambiental, a falta de saneamento básico e de espaços de convivência, a violência e a solidão.

O documento também tratou da solidão e do individualismo: “O processo de urbanização e a lógica da cultura atual contribuem para um certo culto ao indivíduo e para uma valorização exacerbada da individualidade, caracterizadas pela ênfase na própria opinião, consciência e opção”.

É nesse cenário que as diretrizes propõem as conversões das relações, dos processos e dos vínculos. A conversão das reações chama os fiéis a reconhecerem-se parte da Igreja.

A conversão dos vínculos, por sua vez, convida à revisão do “enraizamento” da Igreja nas realidades locais: “É preciso ouvir essas realidades e discernir, à luz do Espírito, como anunciar o Evangelho a partir das exigências culturais e urbanas, bem como das diferentes particularidades do lugar onde a Igreja está presente”.

Construir comunidade

No trabalho evangelizador, o pontífice deseja também que sejam descobertos “caminhos criativos para construir comunidade”.

Essa proposta de oração encontra eco naquilo que as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032) apresentam como um dos caminhos da missão, ou seja, um dos modos de colocar em prática o que os bispos indicam à Igreja no Brasil a partir das inspirações do Sínodo sobre a Sinodalidade.

As Comunidades de discípulos missionários estão no centro dos caminhos da missão. Segundo o documento, a iniciação à fé nasce do anúncio da Palavra, gera comunidade e a faz crescer, assim como aconteceu na formação do grupo dos discípulos e das primeiras comunidades. Esses grupos se reuniam em torno da Palavra e da Eucaristia e eram fortalecidos na fraternidade e enviados como testemunhas do Evangelho no cotidiano.

“Diante de uma sociedade urbana e fragmentada, a Igreja é chamada a redescobrir seu núcleo essencial — catequese, liturgia e caridade. Para isso, a comunidade é fundamental, é indispensável e insubstituível. Essa visão ilumina a missão atual de formar pequenas comunidades de discípulos missionários, capazes de renovar continuamente a vida da Igreja” (DGAE 2026-2032, n. 116).

Assim, a proposta é “armar a tenda no hoje da história”, para que as comunidades católicas sejam onde todos encontrem “lugar, sentido e envio”. Essa tenda do encontro deve ser aberta, acolhedora e missionária, tendo como inspiração as comunidades apresentadas no livro dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42), marcadas por cinco elementos:

1. a escuta da Palavra de Deus;
2. a comunhão entre os membros;
3. a oração comum;
4. a Eucaristia;
5. a missão de testemunhar, na sociedade, os valores do Evangelho.

Fé comunitária

No terceiro episódio da série Caminhos da Missão, sobre o capítulo 5 das DGAE 2026-2032, o arcebispo de Santa Maria (RS) e coordenador da Equipe de Redação do textos das Diretrizes, dom Leomar Brustolin, ajudou a aprofundar a temática da formação de comunidades de discípulos missionários. Ele explicou que a fé cristã é comunitária, pressupondo a formação de comunidades, o que é especialmente motivado pelas diretrizes.

“A Trindade é uma comunidade de amor, então a fé cristã depende disso. Só seremos cristãos se nos entendermos batizados em Cristo para formarmos criaturas novas, para nos configurarmos em comunidade”.
[…]
“A questão da comunidade é uma derivação de quem fez a experiência do encontro com Deus Trindade. […] O que as Diretrizes mais querem é formar pequenas comunidades de pessoas que vivem juntas na oração, na partilha do pão, no ensinamento dos apóstolos e na caridade”, explicou dom Leomar.

É possível assistir o podcast na íntegra, no Youtube:

Fonte: Luiz Lopes Jr. - CNBB

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