Arcebispo repudia uso da Seprev como “utilização politiqueira por parlamentares de Alagoas”

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“Como pode uma Secretaria, que se afirma técnica, participar de encontros meramente políticos-partidários?”, questiona dom Antônio em nota de repúdio

O arcebispo de Maceió, dom Antônio Muniz, divulgou uma nota de repúdio à ação da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev). O metropolita, que também é presidente da Rede Cristã de Acolhimento, afirma que é preocupante os rumos eleitoreiros que o tratamento à dependência química vem tomando em Alagoas. “Como pode uma Secretaria, que se afirma técnica, participar de encontros meramente políticos-partidários com as comunidades?”, questiona dom Antônio.

Na nota, o arcebispo denuncia que encontros foram realizados na semana passada em Santana do Ipanema, em um espaço católico, “para amedrontar e ameaçar ainda mais os dirigentes que dependem de verba pública para sua manutenção”.

“A contrapartida Estadual que deveria ser obrigação, passou a ser tratada como uma esmola negociável entre aqueles que veem o dependente não como alguém que precisa de ajuda, mas simplesmente como um mero voto a ser conquistado e comprado”, diz a nota.

A Arquidiocese de Maceió também pede apoio da sociedade para “combater o bom combate”. “Convidamos toda sociedade para denunciar e rechaçar a forma como o Governo vem tratando o dependente químico no Estado de Alagoas. Quem sabe assim, juntos, eles percebam que como diz nossa Carta Magna: todo poder emana do povo.

Confira a nota:

NOTA DE REPÚDIO

Feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26), o ser humano é desde a criação detentor de direitos que o eleva e dignifica como pessoa, não podendo, de forma alguma, ser tratado como moeda de troca e considerado um mero fim eleitoral.

Infelizmente, hoje, vemos uma realidade que privilegia o voto em troca do tratamento de dependentes químicos. Não importa mais o cuidado digno e universal a todo aquele que precisa, mas sim uma escolha política que fere não somente o dependente, mas a todos nós, que através de nossos direitos, somos a base do Estado.

Preocupa-nos os rumos eleitoreiros que o tratamento à dependência química vem tomando em Alagoas, assim a REDE CRISTÃ DE ACOLHIMENTO vem manifestar seu total repúdioà utilização politiqueira e partidária das comunidades terapêuticas por parlamentares do nosso Estado de Alagoas. Além disso, repudia veementemente o uso da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (SEPREV) como sustentáculo que alimenta essa engrenagem. Ora, como pode uma Secretaria, que se afirma técnica, participar de encontros meramente políticos-partidários com as comunidades? Tais encontros, como o que aconteceu esta semana, na cidade de Santana do Ipanema, em um ambiente marcadamente católico,servem tão somente para amedrontar e ameaçar ainda mais os dirigentes que dependem de verba pública para sua manutenção. Assim, a contrapartida Estadual que deveria ser obrigação, passou a ser tratada como uma esmola negociável entre aqueles que veem o dependente não como alguém que precisa de ajuda, mas simplesmente como um mero voto a ser conquistado e comprado.

Diante dos danos que decorrem dessa politicagem, a Política sobre Drogas deve ser prioridadee não um negócio pouco transparente de grupos restritos de interesse e/ou legendas políticas sem compromisso com um Estado plural.

E ainda pela grave situação em que nos encontramos, questionamo-nos até quando permitiremos, enquanto cristãos, que isso se perpetue em nossas vidas.Do que ou de quem temos medo? Onde guardamos a nossa coragem? Será que dirigentes católicos de comunidades perderam a fé ou a vergonha?

Precisamos reacender a chama da nossa fé e combater o bom combate (2Tm 4, 7). Por isso, convidamos toda sociedade para denunciar e rechaçar a forma como o Governo vem tratando o dependente químico no Estado de Alagoas. Quem sabe assim, juntos, eles percebam que como diz nossa Carta Magna:todo poder emana do povo.

Maceió, 15 de fevereiro de 2017.

DOM ANTÔNIO MUNIZ FERNANDES
Arcebispo Metropolitano de Maceió
Presidente da Federação da Rede Cristã de Acolhimento

Nota de Repúdio

Pastoral da Comunicação
Arquidiocese de Maceió
Telefone: (82) 3326-5458
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