Dom Genival Saraiva de França. Mistério da Cruz

0

Mistério da cruz

            Em sua doutrina, a Igreja Católica ensina que o mistério da cruz ilumina a experiência da dor; por sinal, cruz e dor são realidades muito próximas como significado. Por serem celebrações, a Exaltação da Santa Cruz, no dia 14 de setembro, e a memória da Mãe Dolorosa, no dia 15, dão sentido à cruz e à dor que, na verdade, não são compreendidas se forem vistas numa ótica puramente humana.

A Exaltação da Santa Cruz celebra a “vitória de Jesus Cristo e n’Ele a nossa vitória sobre o pecado e a morte. (…) Por isso, a Igreja celebra e venera a Cruz. (…) É Jesus quem santificou o madeiro da Cruz, ao ser elevado da terra, morrendo em favor da redenção da humanidade”. Por sua vez, a celebração da Mãe Dolorosa, invocada em muitas Igrejas como Nossa Senhora das Dores, revela a face do sofrimento e da dor, experimentada por ela e vivenciada pelos seres humanos. O mistério da Encarnação uniu Cristo a Maria numa relação divina e humana. Como uma das expressões dessa relação humana, maternal e filial, a cruz e a dor sempre estiveram presentes na vida de ambos.

Está claro, nas páginas do Evangelho, que o mistério da cruz e a experiência da dor são traços que unem, intensamente, Jesus e Maria. Pela sua condição, é Cristo quem imprime ao mistério da cruz a sua dimensão salvadora, do qual Maria participa, como primeira destinatária, em razão de sua maternidade divina. No plano humano, Maria toma consciência desse mistério, desde a apresentação de Jesus, recém-nascido, no templo de Jerusalém, até a sua crucificação nessa mesma cidade.

Humanamente, por ser criança, Jesus não compreendeu a natureza de algumas das dores de Maria; quando adolescente, passa a compreender o seu significado, como ocorreu na “perda e encontro” no templo; compreendeu toda a sua extensão, como adulto, por ocasião de sua paixão e crucificação.

O mistério da cruz continua falando aos discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Há cruzes inerentes à condição humana e há cruzes impostas pela maldade humana. A realidade da dor está continuadamente presente na vida dos filhos e filhas da Mãe Dolorosa. Há dores decorrentes da natureza humana e há dores compartilhadas pela solidariedade. Fortalecida com a graça da cruz de Cristo, Maria suportou as suas dores. Com ela, os cristãos enxergam o horizonte de esperança, em meio a multiplicadas e diversificadas faces da dor.

Dom Genival Saraiva

Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba

Share.

Leave A Reply