Vocações na comunidade

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A CNBB tem um atento olhar pastoral sobre a vida da Igreja no Brasil. Para atender às demandas pastorais, criou doze Comissões Episcopais Pastorais – Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, Laicato, Ação Missionária, Bíblico-Catequética, Doutrina da Fé, Liturgia, Ecumenismo, Caridade, Justiça e Paz, Educação e Cultura, Vida e Família, Comunicação, Juventude. Por sua abrangência nacional, as Comissões têm o encargo de propor e acompanhar ações no âmbito de sua respectiva área. Cabe a cada Diocese apropriar-se do conteúdo pastoral de cada uma dessas Comissões, assumindo-o na sua peculiaridade local, trabalhando-o no seu próprio espaço e animando a sua implementação nas Paróquias de sua jurisdição. Esse trabalho exige a organização de cada Diocese, de cada Paróquia, a fim de que elabore seu Plano Pastoral que é, em qualquer lugar e contexto, uma iniciativa indispensável no trabalho da evangelização.

No Brasil, sob a orientação da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, o mês de agosto é tratado, litúrgica e pastoralmente, como o Mês vocacional. Nas Paróquias e comunidades, a diversidade de vocações é celebrada nas comunidades; no primeiro domingo de agosto, celebra-se a vocação dos ministros ordenados – diácono, presbítero e bispo; no segundo domingo, a comunidade agradece a vocação da família, da paternidade/maternidade e pede a Deus, especialmente, pelos pais, na comemoração de seu dia; no terceiro domingo, a comunidade comemora o dia dos religiosos e religiosas, por sua vida consagrada a Deus e dedicada ao serviço dos irmãos e irmãs; no quarto domingo, a celebração contempla os vocacionados que, em suas comunidades, exercem diversos ministérios e serviços; no quinto domingo, a comunidade celebra, com reconhecimento, o dia dos/as catequistas. “Leigos, casados, consagrados, ordenados, devemos dizer explicitamente que gostamos do que somos e amamos o que fazemos!” É assim que essas pessoas vivem e celebram o mês de agosto, pessoas que gostam de sua vocação e amam o que fazem.

Há inúmeros exemplos de pessoas que, há muito tempo, agem dessa maneira, como os/as catequistas que trabalham nas diversas comunidades, prestando um importante e generoso serviço a crianças, adolescentes, jovens e adultos, em sua iniciação cristã. A Igreja valoriza todas as vocações e, sobretudo, reconhece o valor de todas as pessoas que vivem sua vocação. Na verdade, cada vocação é um serviço à vida e à comunidade. Há outra vocação que é tratada de maneira especial no mês de agosto – a paternidade. A consideração aos pais ocorre na comemoração de seu dia, porém vai além dessa circunstância. A Igreja ensina que cada vocação tem uma relação com Deus, como sua fonte, e com o próximo, como objeto de sua ação, de seu serviço. Em relação à vocação dos pais, essa relação é facilmente identificada. Deus, que é Pai, confiou aos pais a missão de continuarem a obra da criação, através do ato de geração da vida. Os filhos são o fruto do amor gerador da vida. A Igreja também ensina que a vocação dos pais não é realizada apenas com a geração; sob todos os aspectos, a educação dos filhos completa a vocação dos pais. Cada pai sabe que sua vocação é um serviço à vida dos filhos e à sua família. Qualquer vocação e todas as vocações, substancialmente, têm sua matriz na família e estão a serviço da comunidade.

Dom Genival Saraiva
Bispo Emérito de Palmares – PE

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